Abrigar seringueiros para fornecer borracha na Segunda Guerra Mundial. Assim surgiu o Tapanã.

Abrigar seringueiros para fornecer borracha na Segunda Guerra Mundial. Assim surgiu o Tapanã.

Compartilhe:

Conheça o Bougainville Belém!

A Status conta a história do bairro do Tapanã, que se reinventou ao converter terras rurais em urbanização na metade do século passado.

 

Com quase 67 mil habitantes, o bairro do Tapanã é um dos mais populosos da capital paraense. Repleta de conjuntos habitacionais que foram os responsáveis por grande parte de seu processo de urbanização, a região cresceu bastante com a chegada de empresas e com a evolução imobiliária. Hoje, o Tapanã é um bairro cheio de vida e gente nas ruas. Mas o enredo do seu surgimento não foi dos mais felizes. Na segunda reportagem da série que apresenta os bairros cortados pela avenida Augusto Montenegro, a Status apresenta ao leitor as nuances de uma página pouco conhecida da nossa história.

 

O Tapanã possui esse nome graças a uma hospedaria que, por 11 anos, abrigou mais de 60 mil brasileiros – principalmente nordestinos. O “Pouso do Tapanã” recebia os migrantes flagelados pela seca, que chegavam ao Norte para participar da “batalha da borracha”: Os “soldados” eram encarregados de fazer a extração e produção nos seringais, a fim de fornecer o material para as Forças Aliadas durante a Segunda Guerra. Acreditando em promessas de uma vida mais próspera, os seringueiros vinham para Belém e ficavam num galpão em condições precárias de trabalho. Cada vez mais nordestinos chegavam ao lugar – mesmo depois da guerra. 

 

Cercado de outras grandes fazendas, o Pouso do Tapanã iniciou seu processo de ocupação a partir daí. Como muita gente ainda chegava em busca de oportunidades no negócio, os esquecidos e os tardios soldados da borracha passaram a se estabelecer nas terras rurais dos arredores. Não à toa, o padrão de quadras amplas entre a avenida Augusto Montenegro e a rodovia Arthur Bernardes permanece o mesmo: é a influência da costura feita pela antiga estrada de ferro (que ligava Belém a Bragança) e do ramal que hoje leva ao distrito de Icoaraci.

 

Em função da condição extremamente rural da região e do processo desordenado de urbanização, o Tapanã se tornou um bairro com poucos espaços dedicados à memória e ao turismo. Seus grandes pontos de visita são a igreja Jesus Bom Samaritano, um cemitério público e um complexo de alimentação e entretenimento que inclui uma das poucas rampas de skate mantidas pelo poder público. Apesar disso, o bairro cresceu bastante na presença de empreendimentos comerciais e imobiliários – além de ser cercado por algumas das principais vias da capital, como a Augusto Montenegro, a Arthur Bernardes, a estrada do Tapanã e a estrada da Yamada. Hoje, o Tapanã é um lugar fervilhante, urbano e que trabalha para construir novas memórias coletivas.

 

Conheça o Parque Office!

Compartilhe:
No Comments

Post A Comment