Revolução moderna – parte 2

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O modernismo na arquitetura paraense

 
A presença do modernismo na arquitetura de Belém é marcante. Mas há também um desdobramento criativo e inusitado, que se tornou algo típico nas fachadas de residências da nossa cidade.

O Clube do Remo não foi o único marco modernista entre os espaços recreativos. A sede campestre da Tuna Luso (fim dos anos 50/início dos anos 60) é uma jóia arquitetônica de Belém, lapidada pelo português Laurindo Amorim – que também projetou o memorável Ed. Importadora (1954-56). Explorando ao máximo o caráter plástico do concreto armado, o prédio abusa das formas circulares sem descuidar da funcionalidade – tanto na utilização de rampa de acesso quanto no benefício da vista panorâmica proporcionada pela boate circular-futurista do clube, aliando o fechamento em vidro e a noção de planta livre (duas características marcantes do movimento).

Porém, na contramão do que imaginam os mais formais, talvez o maior marco modernista paraense tenha sido uma inusitada apropriação popular da estética brasileira da época. Tipicamente local, o que foi chamado (pejorativamente, em princípio) de “Raio Que o Parta” era a utilização de azulejos, inteiros ou em cacos, para desenhar linhas geométricas nas fachadas das casas, como num mosaico. A figura de linhas em V ou de raios se tornou a mais popular, o que motivou o apelido. Foi a maneira que famílias menos abastadas encontraram para vivenciar os ares de modernidade da metade do século, obtendo parte do status de riqueza e sofisticação ao aderir ao espírito do tempo – embora a leitura dos arquitetos mais eruditos fosse a de que o recurso representava mau gosto. É possível encontrar casas com painéis “Raio Que o Parta” nos bairros da Cidade Velha, Jurunas, Campina, Reduto, Nazaré e Umarizal. Sua peculiaridade é o que lhe atribui tanto valor histórico e arquitetônico para Belém – e faz com que, curiosamente, este seja o grande diferencial do nosso modernismo particular.

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