Revolução moderna – parte 1

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O modernismo na arquitetura paraense

 
Quando se pensa na estética arquitetônica de Belém, o primeiro período histórico que vem à cabeça é a Belle Époque. De fato, são muitas referências à era de ouro da borracha na nossa capital. Mas a virada cultural da primeira metade do século XX também trouxe silhuetas inconfundíveis às nossas ruas, em prédios, sedes e residências icônicas da Cidade das Mangueiras. A Status conta agora para você a influência que o movimento modernista exerceu na engenharia e arquitetura paraenses. Confira:

O modernismo foi um momento de transformação artística que pautou diversas linguagens no mundo inteiro. No Brasil, embora seu principal marco tenha sido a Semana de Arte Moderna de 1922, seu impacto na construção veio com maior força a partir da década de 30 – com o apoio do então presidente Getúlio Vargas, que incentivou projetos modernos para dar essa cara de futuro ao seu governo. O modernismo brasileiro acabou desenvolvendo os próprios rumos, inclusive em função do clima tropical do país. Cobogós nas fachadas, rampas de acesso, plantas livres (espaços abertos em que cômodos interagem), pilotis (colunas no lugar de paredes estruturais), janelas em fita (formato em que as edificações ficam percorridas por elas) e brises-soleils (filetes de concreto que direcionam a incidência solar e o vento) são algumas das características do período, atentando à funcionalidade dos elementos. A valorização de formas simples, como linhas curvas e desenhos geométricos, é outro traço marcante do movimento, que primou sobretudo pelo surpreendente, pelo aspecto de amplitude e de espaços abertos.

No Pará, o movimento chegou à arquitetura com notoriedade um pouco mais tarde, em meados dos anos 40. No período ainda não havia faculdade de arquitetura na capital, então era comum que engenheiros fizessem as vezes de arquitetos ao aplicar as referências modernistas nas edificações, principalmente em áreas que haviam sido urbanizadas recentemente. O engenheiro Camilo Porto de Oliveira foi um dos grandes nomes da época: residências famosas como a Casa Bittencourt (1955), a Casa Belisário Dias (1954) e a Casa Presidente Pernambuco (ano desconhecido) levam sua assinatura. Além delas, a sede social do Clube do Remo (1958) e seus inspirados arcos parabólicos, fachada hoje tombada como patrimônio histórico, também está no seu currículo – bem como o marcante edifício Don Carlos, repleto de linhas onduladas, rampas e outras ousadias estruturais que se tornaram a face imediata do modernismo local. Além dele, também se destacam Alcyr Meira, Judah Levy, Laurindo Amorim e Edmar Penna de Carvalho, que ajudaram a espalhar as tendências não apenas para edifícios residenciais/comerciais, como também para prédios institucionais. O Edifício Felícia e a sede da Procuradoria Federal do Pará, ambos projetos de Alcyr, são bons exemplos de como o modernismo minimalista marcou presença no visual da cidade.

A verticalização, aliás, foi inegável no modernismo paraense. O então primeiro arranha-céu da Amazônia, o edifício Manoel Pinto da Silva, projetado por Feliciano Seixas, é do fim de 1951 e retrata a importância que explorar as alturas ganhou no período – o que coincide com a incorporação de elevadores a prédios residenciais de Belém, lá pelos anos 40. Esse processo de empilhar andares permitiu maior liberdade criativa com as tecnologias construtivas, como o concreto armado, telhas de cimento, tijolos vazados, rampas, escadas. As “quinas curvas” de edifícios como Piedade (1949) e Renascença (1952), bem como as sacadas boleadas do Ed. Uirapuru, os três desenhados por Judah Levy, mostram esse aspecto.

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