Perspectivas para Belém

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Mostra no Museu da UFPa reúne 40 anos de história da arquitetura em desenhos e projetos voltados para a capital paraense.

Explorando a influência que os desenhos arquitetônicos têm ou tiveram na constituição da Belém que vemos hoje, a mostra “Cidade em Perspectiva, A Perspectiva da Cidade” leva ao Museu da UFPA diversas representações de projetos urbanos da capital paraense, compreendidas em um período de 40 anos – de 1975 a 2015. Aberta até 5 de março, a exposição é o resultado da pesquisa “Perspectivas da cidade e cidade em perspectivas” – financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e coordenada pelo professor José Júlio Lima, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) e do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFPa.

A reunião desses exemplares tem entre seus objetivos a análise de elementos que interagem com os desenhos, desde seu aspecto plástico até os vínculos sociais. De acordo com o professor José Júlio, a exposição traz grande contribuição para o entendimento do que Belém se tornou – não só do ponto de vista arquitetônico. “A importância reside inicialmente na possibilidade de fazer uma comparação entre o que foi proposto e o que foi executado, mesmo que em uma primeira leitura imediata. Depois, serve como subsídio para uma análise mais aprofundada sobre o contexto de cada década, incluindo questões sociais, econômicas e políticas”, comenta. “Para a arquitetura, os desenhos expostos resgatam as técnicas de representação, desde o desenho a mão livre até o uso da computação gráfica. Considero importante para as novas gerações de arquitetos e atuais alunos de arquitetura o entendimento de como ocorreram as modificações, sem perder de vista o conteúdo das propostas e a inclusão de referências culturais e simbólicas nos desenhos”.

 

A curadoria dedica um de seus espaços para a apreciação dos utensílios típicos da feitura dessas representações ao longo do tempo – sendo assim também um recorte histórico do exercício da arquitetura. “Além da técnica, a exposição proporciona a possibilidade de os arquitetos reconhecerem seu ofício nas propostas urbanísticas e na expressão plástica utilizada”, pondera o professor. “Em outra perspectiva (desculpe o trocadilho), acredito que o público tem oportunidade de acessar uma parte do trabalho dos arquitetos urbanistas e arquitetos artistas… Os desenhos, por tratarem de propostas urbanísticas, não se restringem ao desenho técnico da edificação”.

A interatividade também é um fator importante no desenrolar da exposição, que convida os espectadores a contribuírem com seus olhares. “Imaginamos que a possibilidade de comparar o que foi proposto e o que foi realizado poderia ser incrementada com imagens captadas pelo público no seu dia a dia, incluindo fotos e desenhos feitos dos locais que são tratados nos expostos. Isso é feito por meio da hashtag do Instagram #cidadeperspectiva. As imagens enviadas são incluídas na exposição por meio de uma televisão que mostra os desenhos em uma das salas do museu”, conta José. Até o momento, cerca de 50 imagens já foram enviadas pelo público para fazer parte desse aspecto da mostra – que, além de exibir os desenhos de perspectiva e os utensílios de arquiteto, também reserva um lugar para dar destaque à observação do projeto urbanístico que gerou o Campus José da Silveira Netto, da UFPA.

 

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